segunda-feira, 3 de junho de 2013

Des Gens Qu'on Aimerait Connaître (1973-74)

E enfim, é chegado o ano de 1973. Depois de dois trabalhos muito bem sucedidos no ano anterior, Dalida chega aos 40 anos de idade mostrando que não está por baixo. De amor novo - Richard Chanfray, vulgo Conde de Saint Germain -, ela volta aos hit parades com a canção Paroles Paroles, entoada em duo recitado com o ator Alain Delon. Outras canções lhe renderam êxito na época, como a balada Pour ne Pas Vivre Seul e sua versão cantada de Parle Plus Bas, canção temática do filme O Poderoso Chefão. Os bons fruntos renderam versões das músicas em outros idiomas: Per non vivere soli (Pour ne Pas Vivre Seul) e Worte, nur Worte - Paroles Paroles em alemão, cantada junto ao ator/cantor Friedrich Schütter.



LP Il Faut du Temps reuniu grandes êxitos que engrandeceram a fama de Dalida

Dalida e Saint Germain: embora já estivessem se relacionando desde 1972, 
o casal apareceu publicamente com mais frequência em fins desta década


Após trabalhos profundos como Ils Ont Changé Ma Chanson, Ma, Une Vie e Il Faut du Temps, Dalida lança um disco que ficou marcado na sua história, destacado pelo capricho nos mínimos detalhes e pelas canções de sucesso compunham seu repertório. Em Julien, Dalida demonstra que, mesmo sutilmente, aderiu a um novo estilo. Em vez das canções melancólicas com ar bucólico e orquestração mais simples,  as músicas do álbum têm um ar mais sofisticado, mas também mais denso. O trabalho também simboliza uma junção entre teatro e canção; a cantora passa a incorporar personagens diferentes em cada canção: uma mulher que sofre desesperadamente por amor em Je Suis Malade - de Serge Lama -; na faixa-título, ela declara seu amor a um homem e pede para que ele não vá embora; uma aventura de uma mulher madura com um jovem adolescente em Il Venait d'Avoir 18 Ans; e o retorno a sua infância no Egito em Le Temps de Mon Père.

Mais Il y à l'Accordeon: primeiro single do álbum Julien


Enquanto ainda colhia os frutos do single Paroles Paroles - que também foi incluído no disco -, Dalida lança uma nova música de trabalho, Mais Il y à l'Accordéon, tendo no b-side a canção Rien Qu'un Homme de Plus. Em seguida, a canção Vado Via, original em italiano, gravada por Drupi; do outro lado do compacto, estava Je Suis Malade, grande hit de Serge Lama naquele ano, que também contribuiu positivamente para a carreira de Dalida; a interpretação dedicada dela fez a canção estar sempre constante no repertório da cantora e contribriu para que ela se tornasse a grande intérprete que se tornou. O disco recebeu certificação de disco de ouro na França.

O último single trabalhado no ano foi Julien, adaptação da canção italiana Elisa, Elisa, de Sergio Endrigo, apresentada no Festival de San Remo de 1973. No b-side, estava a música Non, Ce n'est Pas pour Moi, título bem elaborado mas que não obteve muito destaque na época de lançamento. Todas as canções acima citadas estavam incluídas outro presente dado a Dalida por Serge Lama - a pessimista canção Ô Seigneur Dieu - e a marcha Soleil d'un Nouveau Monde.

 
LP Julien, de 1973

Dalida canta Julien ao vivo na TV francesa

Je Suis Malade: título composto por Serge Lama tornou-se
emblemático, estando sempre presente no repertório de Dalida

Ainda em 1973, Dalida lançou um disco de canções italianas. Desde fins dos anos 1960, o registro de canções em seu idioma natal havia diminuído consideravelmente, estando restrito a versões de grandes sucessos da cantora em francês. Em entrevistas, Dalida afirmou que o fato se dava pelo fato de os italianos estarem desconectados com sua atual linha de produção musical. Ela chega a citar que é vista por seu compatriotas como uma cantora pessimista, que traz tristeza, preferindo trabalhos mais "felizes", como à época de Dan Dan Dan, em que a cantora era bastante aclamada na Itália. De fato, muita coisa mudara desde então. Suas participações em concursos como o Canzoníssima haviam praticamente sessado. Sua última ida ao programa havia sido em 1971, quando interpretou Ciao Amore Ciao. Contudo, para não perder o costume, em 1973 Dalida grava Dalida sings in italian for you, contado com novos títulos originais em italiano - Lei Lei, La Colpa è Tua e Credo nell'Amore - e adaptações de sucessos franceses - Priggionera (Comment Faire pour Oublier), Non è più la Mia Canzone (Ils Ont Changé ma Chanson, Ma) e  Cammina Cammina (Mamina).

Mal começava 1974 e Dalida já estava lançando seu primeiro single de trabalho do ano- tratava-se da música Gigi L'amoroso. O título havia sido encomendado especialmente nos moldes do novo estilo de Dalida, que mesclava interpretação e música. A canção também foi feita para ser o fechamento dos espetáculos da cantora; desde 1967, Ciao Amore Ciao era o sucesso utilizado para o encerramento de shows. A título de modernizar o repertório live de Dali, Gigi L'amoroso foi criada. Na época, houve bastante indecisão na hora de lançar o single: ao ver de Orlando, produtor e irmão da cantora, a música não deveria ser lançada, pois nunca poderia ser executada nas rádios, visto que tinha mais de sete minutos de duração. A escolha do b-side também foi complicada. Quando foi apresentada a Il Venait d'avor 18 Ans, Dalida se apaixonou instantaneamente pelo título, mas foi advertida que não tinha a ver com seu estilo. A cantora fez questão e acabou registrando-a. Por fim, ela ainda fez questão de lançá-la; sua produção então tratou de ressuscitá-la do disco Julien e colocá-la como b-side do mais recente single.

Gigi L'amoroso: grande sucesso de Dalida em 1974

Il Venait d'avoir 18 Ans: balada fez sucesso mundo à fora

O resultado foi um estrondoso sucesso que rendeu a Dalida três milhões de discos vendidos em todo o mundo, batendo o recorde de venda de discos que até então era reservado a Frank Sinatra, com o single Strangers in the Night, de 1966. Muitos prêmios vieram no biênio 1973/74 diante desse êxito: Medalha de ouro APPCB, dada pela Associção Profissional de Imprensa Cinematográfica Belga; Prêmio Triunfo de 1973, na França; o Gigi de Ouro - feito especialmente para Dali - e o Coração de Ouro, em mérito por ser a cantora mais popular na Espanha. 


Para comemorar tanto sucesso, em janeiro de 1974 começa uma turnê no Olympia. O espetáculo trazia seus novos sucessos  (Julien, Gigi, Il Venait d'avoir 18 Ans, Ô Seigneu Dieu, Paroles Paroles...), releituras de antigas canções - La Danse de Zorba, Que sont Devenues les Fleurs? e Entrez Sans Frapper -, escolhidas para familiarizar o público ao novo repertório, e algumas canções inéditas, que seriam lançadas naquele mesmo ano, no álbum Manuel: Nous Sommes Tous Mortes à Vingt Ans e Comme tu Dois Avoir Froid. O show foi bastante aclamado pela crítica e, no mesmo ano, foi lançado em LP. O repertório ficou restrito a apenas 11 músicas. Na década de 2000, o álbum foi resmaterizado e reeditado em CD. Contudo, o setlist continuou o mesmo. Canções como Paroles Paroles, ficaram de fora. Um forte motivo para justificar a não inclusão desse grande sucesso foi porque ele foi interpretado, na época do show ,com ajuda de outros artistas, como Patrick Juvet, Dave e Hervé Vilard, uma vez que Alain Delon estava com outras demandas de trabalho e não pode participar do espetáculo de Dalida.  


Dalida em cena na turnê Olympia 74

Depois da euforia da turnê no teatro Olympia, Dalida inicou a gravação de mais um disco de carreira. Meses depois chegava ao público Manuel, um álbum feito nos mesmos moldes de seu antecessor: alguma canções melancólicas e outras mais agitadas. Os grandes hits do LP foram Gigi L'amoroso, Ta Femme e a faixa-título. Apesar dos novos sucessos, os bons frutos do single Gigi L'amoroso/Il Venait d'avoir 18 Ans continuaram ecoando pelos anos seguintes. Em 1975, Dali recebe o Oscar Mundial do Sucesso pela permanência das duas músicas em 1º lugar em 12 países. Além disso, o sucesso fatura disco de ouro na Alemanha, disco de platina na Bélgica, Holanda e Luxemburgo e oito estatuetas em premiação musical no Olympia. Na França, o sucesso foi avassalador: 5 discos de ouro para Gigi L'amoroso e 6 para Il Venait d'Avoir 18 Ans.


LP Manuel



Novos singles de Dalida em 1974




 Em Ta Femme, Dalida canta as dores de ser a outra


Manuel: Dalida canta o texto de uma mulher feliz com
a saída do marido da prisão


O terceiro volume da coletânea Les Années Orlando, Des Gens Qu'on Aimerait Connaître traz todos sucessos do disco Julien (com exceção de Le Temps de Mon Père e Paroles Paroles), três faixas do LP Manuel - Anima Mia, Ta Femme e a faixa-título -, além da canção Et Puis C'est Toi, pertencente do álbum Il Faut du Temps, mas que ficou de fora da coletânea anterior. Nesta postagem, é possível conferir também o álbum Olympia 74.


1. Il Venait d'avoir 18 Ans
2. Anima Mia
3. Julien (Elisa, Elisa)
4. Non, Ce n'est pas pour Moi
5. Mais Il y à l'accordeon
6. Je Suis Malade
7. Vado Via (Je m'en Vais)
8. Manuel
9. Ta Femme
10. Des Gens qu'on Aimerait Connaître
11. Et Puis C'est Toi
12. Soleil d'un Nouveau Monde
13. Rien qu'un Homme de Plus
14. Ô Seigneur Dieu (Pourquoi m'as-tu Abandonnée?)
15. Gigi L'amoroso (Gigi L'amour)


1. Introdution - Ainsi Parlait Zarasthoustra
2. Entrez Sans Frapper
3. Pour ne pas Vivre Seul
4. Nous Sommes Tous Mortes à Vingt Ans
5. Avec le Temps
6. Que Sont Devenues les Fleurs? (Where Have All the Flowers Gone?)
7. Ô Seigneur Dieu (Pourquoi m'as-tu Abandonné?)
8. Il Venait d'avoir 18 ans
9. Je Suis Malade
10. Julien (Elisa, Elisa)
11. Gigi L'amoroso (Gigi L'amour)

domingo, 28 de abril de 2013

Une Vie (1971-72)


A mesma linha de trabalho escolhida por Dalida avança para 1971 e culmina em um novo trabalho bastante denso e maduro. Também produzido pela Orlando International Shows, o disco Une Vie atinge grande sucesso, uma vez que é formado por composições memoráveis de grandes artistas franceses. Para produzir o álbum, a cantora reuniu peças de grandes compositores, como Michel Sardou - Chanter les Voix -, Michel Legrand - a faixa-título do disco -, Serge Lama - Toutes les Femmes du Monde -, Boris Bergman - Le Fermier - e Leo Ferré - Avec Le Temps, um dos maiores sucessos de Dalida de toda a sua carreira. A canção de tom pessimista, junto a outra composições mais românticas e tristonhas, aprofundou ainda mais a maturidade da estética musical, que culminou em um trabalho bem sério.

Avec le Temps: canção foi um dos hinos imortalizados por Dalida em 1971

Outros títulos favoreceram esse lado musical melancólico, como Comment Faire Pour Oublier, que foi o primeiro single lançado naquele ano. Trata-se de uma adaptação ao francês de outra composição de Melanie Sakfa, que havia composto a original de Ils Ont Changé Ma Chanson. No verso do compacto, uma canção que ficou e fora do LP mas que deu nome ao disco número 1 da coletânea Les Années Barclay, La Rose Qui J'Aimais. Já Jésus Bambino, segundo single, era uma adaptação francesa do título italiano de Lucio Dalla, 4 Marzo 1943. Originalmente, a canção apresentada no Festival de San Remo de 1971 foi nomeada tal como no francês, Gesù Bambino. No entanto, ela foi considerada desrespeitosa pelo júri, obrigando o compositor da peça mudar o título. No Brasil, a polêmica música foi versionada por Chico Buarque e lançada como Minha História. No b-side da versão de Dalida, constava outra versão do italiano para o francês: Tut'all Più, de Patty Pravo, foi versionada para Tout au Plus. Diferente do b-side do primeiro single, este sim saiu no LP Une Vie. 

Já o terceiro single foi Mamy Blue - originalmente composta em francês, foi lançado em italiano por Nicoletta e, posteriormente, por Dalida, que popularizou a canção na Itália. O single, que foi o único título em italiano que figurou no LP Une Vie, aproveitou para trazer à França, como b-side, um novo single lançado na Itália por Dalida, La Colpa è Tua. Em seu país materno, as duas músicas foram lançadas como singles em compactos independentes, que continham em seus versos, respectivamente, duas canções de Dalida adaptadas para italiano: L'amore Mio Per Te (Le Rose Qui J'Aimais) e Prigioniera (Comment Faire Pour Oublier). Em 1971, Mamy Blue foi a canção que mais se destacou em vendas, obtendo certificado de disco de ouro na Itália. Já na França, nenhum título do gênero foi obtido.

Para fechar os trabalhos daquele ano, Dalida lançou mais dois singles: Avec le Temps, um das canções mais emblemática de sua carreira, contendo no b-side Monsieur L'amour. O último foi a balada romântica Les Choses de L'amour, junto a Chanter les Voix. Fora as já citadas, foi agregado ao LP mais uma faixa: Non, versão francesa do título Why, de Roger Whittaker. Apesar do pouco sucesso de vendas, o trabalho demonstrava que Dalida já era uma artista consagrada e que já podia caminhar com atitude pelo estilo que quisesse. O resultado foi que a cantora continuava fazendo sucesso com seu novo repertório, chegando a executar uma série de concertos no Piccadily da cidade de Beirut, no Líbano, e em diversos países do leste europeu e ásia central. 

Capa do disco Une Vie traz escritos com a letra
da própria Dalida

Na Europa o sucesso ainda frutificava, sendo consagrado por um show no Olympia, em Paris. O dono do teatro, Bruno Coquatrix, ficou temeroso se o espetáculo vingaria, visto que Dalida não se apresentava na casa de espetáculos desde 1967 e seu repertório mudara bastante. No entanto, o engano foi certo e Dalida conseguiu lotar todos os dias de show. O setlist foi composto essencialmente por canções de seus dois últimos LPs, Ils Ont Changé Ma Chanson e Une Vie. Dalida acresceu aos shows apenas quatro canções da década de 1960: Deux Colombes, Les Anges Noirs, Heene Ma Tov e Ciao Amore Ciao, que fechava o espetáculo. Com exceção de Heene Ma Tov, Darla Dirladada e Ils Ont Changé Ma Chanson, canções folclóricas mais dançantes, todo o setlist do show era mais melancólico, demonstrando uma fase bastante intimista e reflexiva de Dalida. Uma noite do espetáculo foi gravada e o áudio foi compilado em um LP em 1972, intitulado Olympia 71. Esse foi o primeiro disco ao vivo lançado por Dalida em vida, que, a princípio, continha apenas 12 faixas. Contudo, ao ser relançado em CD nos anos 1990, o show teve todo o seu repertório reeditado, o que resultou em um total de 17 canções. Em 2012, o espetáculo foi lançado em DVD com áudio e imagens restaurados.

 
Dalida apresenta, ao vivo no show Olympia 71, a canção Mamy Blue,
com a qual conquistou disco de ouro na Itália

Após iniciar o ano de 1972 com o pé direito com o lançamento de seu primeiro disco ao vivo, Dalida lança um novo single - Mamina. A canção melancólica, mais uma para o hall dos títulos intimistas da cantora,  fala sobre a relação dela com a mãe. Esse tema é um dos preferidos de Dalida, sendo volta e meia tratado em várias canções. Ao mesmo tempo, a canção demonstrava que a cantora seguia em bom ritmo no seu novo estilo. Na sequência, um outro compacto foi lançado, trazendo mais duas novas músicas: eram Jésus Kitsch e Ma Mélo Mélodie. Esta última quebrava um pouco da linha de produção mais intimista de Dalida, uma vez que se mostrava uma música mais superficial, feita para divertir. Todas essas novas canções tornaram-se parte de um novo disco editado naquele ano. O trabalho foi intitulado de Il Faut du Temps, por causa da faixa de mesmo nome, que era a primeira do LP. 

O disco trouxe a mesma linha do disco Une Vie, embora trouxesse mais hits. O álbum trouxe novamente a faixa Avec le Temps; a balada Pour ne Pas Vivre Seul, que fez sucesso; Parle Plus Bas, uma vesão letrada do tema musical de Ennio Moricone, composto para o filme O Poderoso Chefão; uma releitura do sucesso de Charles Trenet Que Reste-t-il de Nos Amours?; e a romântica Paroles Paroles, cantado junto com o ator Alain Delon. Esta última faixa - que é uma reprise de Parole Parole, sucesso italiano cantado por Mina e Alberto Lupo - alcançou enorme êxito e colocou Dalida de volta às paradas de sucesso. A canção representou também o retorno da cantora à interpretação de músicas mais do gosto popular. Paroles Paroles é, até hoje, uma das canções gravadas por Dali mais lembradas pelo público. O hit foi número 1 no Japão, onde ganhou disco de ouro. Na França, o single ganhou disco de ouro duplo.


Paroles Paroles: Dalida voltou aos hit parades com sucesso do single

Capa do Single Paroles Paroles, lançado no início de 1973. 
B-side Pour ne Pas Vivre Seul também fez sucesso. 

Dalida interpreta Pour ne Pas Vivre Seul ao vivo na televisão francesa.
Título foi relembrado em 2002 no filme Oito Mulheres (Huit Femmes)

A relação de Dalida com Alain Delon, provocada pelo dueto, levou a uma série de encontro entre os dois artistas. O fato suscitou um possível relacionamento entre ambos. Nunca se comprovou se os dois chegaram a se relacionar afetivamente, pois sempre afirmaram em público que eram bons amigos. Na verdade, o biênio 1972/73 trouxe sorte para o amor na vida de Dalida de outra forma. Nessa época, ela conheceu Richard Chanfray, figura pública conhecida como o Conde de Saint Germain. O homem era conhecido por seus números de ilusionismo, com os quais dizia transformar chumbo em ouro. Em 1973, ele se destacou em programas de TV com números de magia que encantaram a sociedade francesa. Certo dia, os dois se conheceram e se apaixonaram rapidamente, engatando um relacionamento que foi o mais duradouro da vida de Dalida - durou nove anos. O relacionamento tornou-se decisivo na condução da carreira artística de cantora, que começou a "desentristecer" ao longo dos anos 1970.


Alain Delon e Dalida: amizade colorida?

Dalida recebe fãs em viagem de turnê ao Japão, em 1974

O volume dois da coletânea Les Années Barclay, também intitulado Une Vie, traz todas as canções do LP homônimo, mais as citadas acimas do Il Faut du Temps, incluindo a faixa-título e a canção L'amour qui Venait du Froid, versão francesa de uma canção popular russa, registrada na mesma época pelo cantor Patrick Juvet, sob o título de Sonia. As demais canções do álbum foram incluídas no outro volume da coletânea, que será apresentado na postagem seguinte: Des Gens qu'on Aimerait Connaître. A única exceção da coletânea é a faixa Le Temps de Mon Père, que é pertencente ao disco Julien, de 1973. A versãod e Dalida para Que Reste-t-il de nos Amours? foi relançada em 1976, no disco Coup du Chapeau au Passé; logo, a faixa foi editada no volume da coletânea que contempla o referido álbum.


1. Une Vie
2. Parle Plus Bas (Le Parrain)
3. Non (Why)
4. Les Choses de L'amour
5. Paroles Paroles (Parole Parole)
6. Il Faut du Temps
7. Mamina
8. Le Temps de Mon Père
9. Chanter les Voix
10. Monsieur L'amour
11. Jésus Kitsch
12. Pour ne Pas Vivre Seul
13. L'amour qui Venait du Froid
14. Toutes les Femmes du Monde
15. Le Fermier
16. Ma Mélo Mélodie


1. Introdution Orchestra - Non
2. Non (Why)
3. Chanter les Voix
4. Heene Ma Tov
5. Les Anges Noirs
6. Tout au Plus (Tut'all Più)
7. Les Choses de L'amour
8. Toutes les Femmes du Monde
9. Le Fermier
10. Darla Dirladada
11. Deux Colombes
12. Ils ont Changè ma Chanson, Ma
13. Une Vie
14. Avec le Temps
15. Mamy Blue
16. Ciao Amore Ciao

quinta-feira, 7 de março de 2013

La Rose qui J'Aimais (1970-71)

A partir do ano de 1970, Dalida dá um novo rumo à sua carreira. Inspirada pela filosofia oriental, a qual teve conhecimento através de Arnaud Desjardins - com quem teve um breve relacionamento amoroso, mas que terminou em 1971, uma vez que o rapaz era casado, e resultou em uma forte amizade - e em diversas viagens ao oriente, principalmente à Índia, a cantora passou a enxergar a vida de outro ponto de vista. Chegou inclusive a ponderar a por um fim em sua carreira, a qual era focada nos sucessos musicais da moda e nos trabalhos essencialmente comerciais, para gerar lucro à gravadora. Contudo, ela prossegue com a carreira artística, mas não sem antes promover grandes mudanças nela.

A primeira foi que Dalida decidiu romper definitivamente com a Barclay. A gravadora permitia atuação parcial da cantora, de forma que muitas músicas ela tinha que gravar apenas para satisfazer o gosto da empresa, que procurava sempre focar no resultado positivo das vendas. Essa postura fez com que até então Dalida fosse considerada praticamente como uma fábrica de vender discos. Além de ser bastante popular - em 1965, foi eleita a cantora preferida dos franceses -, fazê-la registrar hits chicletes iê-iê-iê era uma forma de fazer com que ela estivesse ditando aquela moda, que já durava quase uma década. O resultado é que no final dos anos 1960, mais precisamente entre 1967 e 1969, Dalida não sentia vontade de gravar algumas das canções que registrou. Naké-di, Naké-dou e Tipitipiti, lançadas em 1969, era canções detestadas por Dali, motivo pelo qual as canções não foram incluídas na coletânea Les Années Barclay - L'An 2005.

O fato é que Dalida sentia necessidade de se libertar daquele estilo e realizar uma produção que tivesse mais haver com ela, e que, principalmente, ela tivesse mais liberdade para inovar e gravar aquilo que quisesse. Por isso, no biênio 1969-1970, ela rompe com a Barclay e se junta ao seu irmão mais novo, Bruno Gigliotti, para fundarem uma sociedade. Bruno, que também se interessava por música e chegou a tentar carreira artística no início dos anos 1960, tornou-se o produtor musical e agente pessoal da irmã. Como nome artístico, ele assume o pseudônimo Orlando, que era o nome de seu irmão mais velho. Logo, por estar em família, Dalida teria praticamente uma gravadora própria, na qual poderia agir como bem entendesse. Um outro contrato foi firmado naquela época, com a Sonopress, que ficou responsável pela distribuição dos discos e compactos produzidos por Dalida e seu irmão.

Portanto, logo depois de lançar o EP Hey Love, Dalida lançou seu primeiro compacto na Orlando International Shows, nome da produtora lançada pelo irmão, agora conhecido por Orlando. O 45 rotações trazia quatro canções: Lady d'Arbanville, Pour Qui, Pourquoi, Si C'était à Refaire e Entre les Lignes, Entre les Mots. O EP, na verdade, foi o último lançado nesta modalidade. A partir de 1970, o estilo de lançamento em EP caía em desuso, dando mais destaque ao trabalho inteiro, que integrava o LP. Aos compactos restaram a incumbência de divulgarem os singles, canções promocionais que era mais trabalhadas pelos artistas. Hoje em dia, com o uso dos CDs, a moda ainda se mantém, principalmente nos Estados Unidos e Europa. Antes de lançarem o trabalho completo, os artistas lançam CDs com uma ou duas músicas que integrarão realmente o disco de carreira. O disco do single vem com capas diferenciadas e/ou conteúdos exclusivos - como remixes ou versões alternativas das faixas - e geralmente são lançados meses antes do trabalho completo.

Pois no início da década de 1970 começava a entrar em voga essa nova maneira de lançar produtos da indústria fonográfica. E Dalida ajudava a encabeçar essa nova tendência, que também definiria seu novo estilo musical. Em seu último EP, mencionado acima, a cantora apresentava um repertório mais contemporâneo e adulto, guiado por arranjos musicais mais bem cuidados e que apontavam para uma sonoridade folclórica mesclada à melancolia. A maturidade do novo estilo era reforçada pela regravação de músicas de novos artistas, que inspiravam a nova moda dos anos 1970. Lady d'Arbanville foi traduzida da rock-pop-folk homônima lançada pelo britânico Cat Stevens naquele mesmo ano. Ao mesmo tempo que inovava, Dalida mostrava que suas origens continuavam vivas, reafirmando sua forte ligação com a Itália. Ela pegou a canção La Prima Cosa Bella, defendida por Nicola di Bari no Festival de San Remo de 1970, e regravou-a como Si C'était à Refaire.


Dalida seguia cantando hits italianos em francês, como Si C'était à Refaire


Ambos os processos - de demonstrar versatilidade em novas criações e reafirmar parâmetros antigos - foram sendo trabalhados nos singles seguintes, Darla Dirladada e Ils Ont Changé Ma Chason, Ma. A primeira música tratava-se de uma canção folclórica originária da ilha de Kalimnos, na Grécia. O texto dela foi traduzido em francês por Boris Bergman - grande letrista que elaborou grandes textos para Dalida, como Le Septième Jour (1968), Lacrime e Pioggia (1969) e Le Fermier (1971). A cantora chegou a gravá-la também em italiano e a apresentou no Festival Canzoníssima de 1970. A canção fez um grande sucesso e foi certificada com o prêmio de disco de ouro. Já Ils Ont Changé Ma Chanson é um sucesso americano, composto e lançado em 1970 por Melanie Safka. De forma divertida, a canção brinca com um hábito musical costumeiro da época: a elaboração de versões de músicas americanas pelos franceses (ainda que os americanos também tenham traduzido muitos originais em francês para o inglês). De forma irônica e engraçada, o texto chega a apresentar um dos refrões e uma estrofe traduzidos para o francês, em alusão a uma possível versão daquele título. Em resposta ao texto de Melanie, a música foi realmente versionada para o francês, especialmente para Dalida, e lançada naquele mesmo ano. A faixa foi destaque entre os singles do ano e fez sucesso também em francês.

Ils Ont Changé Ma Chanson, Ma: outro grande sucesso,
 que deu nome ao LP lançado naquele ano



Todas essas canções e os b-sides dos dois últimos singles - Diable du Temps e Ram Dam Dam (La Vie Bat le Tambour) - integravam o novo LP de Dalida, intitulado pelo single de destaque, Ils Ont Changé Ma Chanson. Na capa, a cantora aparece vestida em uma roupa também bem folclórica, mostrando que sua mudança na música também se refletia na moda. Desde 1969, Dalida vinha substituindo as botas e saias sessentistas por longos vestidos e batas indianas, vestimentas mais compostas. A mudança também era inspirada pelo fato de que a artista, então com 37 anos, já chegava na casa dos quarenta e optava por um visual mais senhorial. O referido álbum, que possui uma linha de produção bem marcante, foi bastante aclamado pela crítica da época, apesar do sucesso comercial ter sido menor - apenas um disco de ouro registrado.

Em 1970, Dalida fez sucesso com Darla Dirladada, 
transformando a canção folclórica grega em hit

Apesar de ter obtido sucesso comercial, os novos trabalhos de Dalida não estavam voltados para esse propósito. No LP de 1970, apenas Darla Dirladada e Ils Ont Changé Ma Chanson, Ma, que se tornaram singles, eram canções mais comerciais. Toda a linearidade do disco tinha um quê de alternatividade, que inseria Dalida em um patamar de produção musical mais refinado e fora do eixo da moda. Canções como Pour qui, Pour Quoi e Mon Frère le Soleil demonstram esse novo lado da cantora, atraem olhares curiosos sobre o novo estilo, apesar de não serem grandes hits comerciais.

Pour qui, Pourqui: Através de um novo estilo musical, 
Dalida demonstra maturidade artística e pessoal


Dalida emplaca outra composição grega em 1970: Mon Frère le Soleil, de Mikis Theodorakis,
 mesmo compositor do sirtake de Zorba, o Grego. A canção foi trabalhada apenas em 1977,
quando figurou novamente outro LP de Dalida, Salma Ya Salama.

No primeiro disco da coletânea Les Années Orlando, intitulado La Rose Qui J'Aimais, constam todas as canções do LP de 1970 e os b-sides não incluídos no álbum. Além disso, marcam presença no CD canções lançadas no disco Une Vie, de 1971. Este último continua o trabalho feito por Dalida no ano anterior, sendo que de forma mais intensificada. As composições apresentadas no LP mostram temas ainda mais denso, com temas mais aprofundados. É o caso de Comment Faire Pour Oublier, Tout au Plus, Mamy Blue (interpretada em italiano) e Avec le Temps - esta última, composição célebre de Léo Ferré. Além dessas, o disco La Rose Qui J'Aimais traz a versão de Dalida de uma canção polêmica de Lucio Dalla, adaptada como Jésus Bambino. Para conhecer as demais canções do álbum Une Vie e a gênese do trabalho, consulte a postagem homônima do disco.




1. La Rose Qui J'Aimais
2. Ils Ont Changé ma Chanson, Ma (Look What They've Done to My Song, Ma)
3. Lady d'Arbanville 
4. Comment Faire Pour Oublier (Stop! I Don't Wanna Hear it Anymore)
5. Avec le Temps
6. Si C'était à Refaire (La Prima Cosa Bella)
7. Jésus Bambino (4 Marzo 1943/Gesù Bambino)
8. Darla Dirladada
9. Pour Qui, Pour Quoi
10. Mamy Blue
11. Tout au Plus (Tutt'al Più)
12. Mon Frère le Soleil
13. Entre les Lignes, Entre les Mots
14. Les Jardins de Marmara
15. Une Jeunesse
16. Diable du Temps (Old Devil Time)
17. Ram Dam Dam (La Vie Bat le Tambour)



sábado, 16 de fevereiro de 2013

L'An 2005 (1969-70)


É chegado o fim dos anos 1960 e os rumos da música começam a mudar. Pouco a pouco, a febre do iê-iê-iê começa a baixar. Dalida segue com algumas canções extremamente comerciais apenas a mando de sua gravadora, a Barclay, como Zoum Zoum Zoum. Em 1969, após o lançamento dos EPs L'anniversaire e Les Violons de Mon Pays, a cantora prepara um EP que chamou a atenção da crítica e do público. A faixa-título, L'An 2005, uma canção futurista que abordava a vida na terra no ano de 2005, foi um sucesso. Junto a ela estavam Naké Di, Naké Dou, uma das últimas músicas pop chiclete gravadas por Dalida - a música, que era detestada pela própria cantora, era tão fraca que nem chegou a ser compilada na coletânea Les Années Barclay -, Les Anges Noirs, que apareceu pela primeira vez em um EP, e Ma Mère me Disait,  uma balada de sucesso que se tornou a faixa-título do LP daquele ano. Ainda em 1969, foi lançado o EP Le Clan des Siciliens, no qual se destacaram as baladas - Les Couleurs de L'Amour, Ballade à Temps Perdu e, especialmente, Deux Colombes, que é cantada parte em francês e em italiano.

E falando na Itália, as canções em italiano seguiam sendo produzidas a todo vapor. L'An 2005 foi versionada para Nel 2023, assim como La Sable de L'amour, que se transformou em Stelle di Cielo, Stelle di Mare. Outras canções inéditas também foram lançadas, como Ci Sono Fiori, Oh Lady Mary e La Mia Vita è Una Giostra. Na Itália, todas tiveram bom reconhecimento, contudo poucas delas integraram o álbum em italiano que saiu naquele ano, Dalida Canta in Italiano. O disco reuniu se constituiu de grandes sucessos - como Dan Dan Dan e L'Ultimo Valzer -, adicionados a poucas novas canções, a exemplo de uma versão em espanhol de Zoum Zoum Zoum, La Speranza è Una Stanza, La Promesse d'Amore e Casatchok. Esta última, que era a versão italiana da alemã Petruschka, também gravada por Dalida, não foi compilada em nenhuma coletânea oficial de discografia da cantora. Na Alemanha, o hit recebeu certificado de disco de ouro. As produções em alemão na época também era usuais, como o lançamento do sucesso Spiel Balalaika.

Ma Mère me Disait: balada melancólica foi sucesso em 1969
e deu nome ao LP da época

Dalida canta L'An 2005, em 1969

Durante 1969 apenas o LP Ma Mère me Disait foi editado por Dalida. O álbum, como de costume, reunia os grandes sucessos daquele ano e algumas inéditas, que neste caso, só incluiu Pars, que não havia entrado em nenhum LP antes. No setlist também foi incluída a versão de La Vie en Rose gravada por Dalida em 1965. O referido disco foi o último realizado nos moldes sessentistas de produção fonográfica, no qual se privilegiavam os EPs. As canções de maior destaque eram compiladas nos Long Plays, que funcionavam basicamente como uma coletânea de grandes sucessos. A partir de 1970, o disco passou a ser encarado como um trabalho artístico real, para o qual as músicas eram preparados com ineditismo. Aos compactos restavam a missão de promover os singles, canções de maior destaque que eram mais trabalhadas/tocadas pelo artistas. Atualmente, os singles recebem videoclipes, versões remixes ou alternativas, capas promocionais, entre outros. A ideia é tornar a música de destaque ainda mais comercial e, consequentemente, promover o álbum de estúdio - na época, o LP.

LP Ma Mère me Disait



Portanto, nos primeiros meses de 1970, foi produzido o último EP de Dalida. Intitulado Hey Love, música de destaque, o 45 rotações também trouxe baladas produtivas, como Avant de Te Connaître e a versão letrada em francês da clássica Concerto Pour Une Voix, de Saint Preux. No compacto ainda constava Tipitipiti, a última música no estilo iê-iê-iê lançada por Dalida - que, por ser de baixa qualidade, também não foi incluída nas coletâneas oficiais. De forma geral, os trabalhos nesse biênio não foram tão comerciais e não receberam grandes honrarias na França. No entanto, na Itália Dalida recebeu prêmio MIDEM pela maior venda de discos no país. Já em Luxemburgo, a cantora ganhou o Oscar Radio Hit Parade. Quanto a certificados de disco de ouro, apenas Petruschka obteve o prêmio, sendo que na Alemanha.

Canções como Oh Lady Mary ainda eram apostas
de Dalida para conquistar o público italiano


Com fraca produção de hits chicletes e naufrágio do iê-iê-iê,
Dalida fez ainda mais sucessos com baladas como Concerto Pour Une Voix

Após dois anos de sua tentativa de suicídio, a artista embarca numa onda espiritual que a leva até o oriente. A cantora viaja várias vezes à Índia, onde conhece princípios do hinduísmo e do budismo. Nesta aventura pelo esclarecimento, o filósofo Arnaud Desjardins foi o seu guia e companheiro, com quem Dalida teve um breve relacionamento. Mais espiritualizada, ela repensa sua vida, suas atitudes e condutas. Tentando se manter bem consigo mesma, concentrada na sua espiritualidade e no seu trabalho, a morte ainda insistia em causar turbilhões na cabeça de Dalida. Em 1970, a cantora recebe a notícia que seu antigo companheiro Lucien Morisse havia cometido suicídio. O produtor musical havia se matado dentro do antigo apartamento em que viveram juntos, na Rua Ankara, em Paris. O fato deixou Dalida ainda mais reflexiva sobre a efemeridade da vida e sobre seus propósitos. Por uns tempos, chega a pensar a encerrar sua carreira.

No entanto, ela segue adiante, mas de uma forma diferente: ela rompe com a Barclay, sua gravadora, com a qual trabalhava há quase 15 anos. Seu irmão mais novo, Bruno Gigliotti, que agora assume o pseudônimo de Orlando, se oferece para trabalhar na produção musical da carreira da irmã. Deste acordo nasce o selo musical Orlando International Shows, que tem como primeira artista lançada no mercado a já veterana Dalida. A parceria resulta em trabalhos mais maduros e densos, com temática mais adulta e contemporânea, completamente diferente da década passada. O resultado culmina na realização do disco Ils Ont Changé Ma Chanson, Ma, que se torna um sucesso. (Para conhecer mais sobre o álbum, consultar a postagem La Rose Qui J'aimais).

Hit Hey Love constituiu o último EP de Dalida gravado na Barclay

Arnaud Desjardins e Dalida: envolvimento amoroso resultou
em aprofundamento espiritual e filosófico da cantora

Portanto, em meados de 1970 terminam as produções de Dalida junto a Barclay, cujos trabalhos são reunidos no volume 10 da coleção Les Années Barclay, intitulada L'An 2005. No disco estão inclusas todas as canções de 1969 e início de 1970, de Les Anges Noirs até o EP Hey Love. No CD também estão inclusas músicas produzidas pela Barclay mas que não foram lançadas em LPs ou EPs. São seis canções inéditas, incluindo Le Bonheur Vient de Me Dire Bonjour, do filme Parle-Moi d'Amour, de 1961, a Histoire d'Aimer, um single lançado por Dalida em 1976 que teve distribuição feita através da Barclay.

Aqui nesta postagem é possível conferir o 5º volume da coletânea Italia Mia. Como já foi dito em outro post, a coletânea não apresenta a mesma linearidade temporal das Les Années Barclay e Les Années Orlando, pois os discos reúnem canções de diferentes épocas. O volume 5, intitulado Strada dei Sogni, mostra as últimas músicas em italiano gravadas por Dalida nos 1960 e algumas da década seguinte. Os últimos dois discos da compilação abrangem apenas dos anos 1970. Além de pecar na falta de organização, a coletânea também deixou muito material gravado por Dalida de fora. Não se sabe o motivo exato, mas é possível que as músicas não tenham saído do agrado da cantora, sendo por isso descartadas das coletâneas.

No fim da postagem, você também confere uma lista de canções em francês e em italiano que não fazem parte de nenhuma compilação, tais como Naké-di, Naké-dou, Tipitipiti, L'Acqua Viva, além de algumas pérolas como a versão de Entrez Sans Frapper em italiano, Entrate Amici Miei, e de Non, Je Ne Regrette Rien, de Edith Piaf, entoada por Dalida como No Dico No.


1. Le Sable de L'amour (L'ora Dell'Amore)
2. Et Pourtant J'ai Froid (Ma Che Freddo Fa)
3. L'An 2005 (In The Year 2525)
4. Les Anges Noirs (Angelitos Negros)
5. Ma Mère me Disait
6. Deux Colombes
7. Les Couleurs de L'amour (Colour of My Love)
8. Ballade à Temps Perdu
9. Le Clan des Siciliens
10. Concerto Pour Une Voix (Chaque Nuit)
11. Avant de Te Connaître
12. Hey Love
13. Histoire d'Aimer (Mister Love)
14. Le Bonheur Vient de Me Dire Bonjour (Ho Trovato la Felicità)
15. Sa Grande Passion (His Lastest Flame)
16. J'ai Ta Main
17. Je Te Perds
18. Va Plus Loin que La Temps
19. Ton Âme


1. La Prima Cosa Bella (Si C'était à Refaire) (1970)
2. Loro (Eux) (1963)
3. Va, Tu Sei Libero (Je Ne Sais Plus) (1962)
4. Remember (Em Italiano) (1977)
5. Comprami un Juke Box (Achète-moi un Juke-Box) (1961)
6. Non Giocarti Dell'Amore (Ne Joue Pas) (1959)
7. La Strada Dei Sogni (1962)
8. Uomo Vivo (Je Me Sens Vivre) (1961)
9. Quando Dormirai (Quand Tu Dors Près de Moi) (1961)
10. Non Mi Dire Chi Sei  (Reste Encore Avec Moi) (1961)
11. Nel 2023 (L'An 2005) (1969)
12. Ponderoso Signore (Protégez-moi, Seigneur) (1961)
13. Non Ti Pentire Mai (1965)
14. Non lo Sai (Tu Ne Sais Pas) (1961)
15. Pepe (Em Italiano) (1961)
16. Il Colore Dell'Amore (Les Couleurs de L'amour) (1969)
17. El Cordobés Manuel Benítez (Em Italiano) (1966) 


Canções inéditas dos anos 1960
Forse è sogno per me (Do filme "Une Verre et une cigarrette) - 1955
Piove (Ciao Ciao Bambina) - 1959
L'acqua Viva - 1960
Marie Marie (Em Italiano) - 1960
Dolce Musica (Mélodie Perdue) - 1961
Gli Inesorabile - 1961
No Dico No (Non, Je ne Regrette Rien) - 1961
Piccolo Elefante (Petit Éléphant Twist) - 1962
Twistin' the Twist (Em Italiano) - 1962
Questa è la Mia Terra (Ce Coin de Terre) - 1963
El Cordobés (Em Italiano) - 1966
Cuore Matto (Mon Coeur est Fou) - 1967
Entrate Amici Miei (Entrez Sans Frapper) - 1968
Naké di, Naké dou - 1969
Tipitipiti - 1969
Casatchok (Petruschka em Italiano) - 1969
Voglio que Nessuno Sappia Mai - 1969
Il Colore dell'Amore (Les Couleurs de L'amour) - 1969
Stelle di Cielo, Stelle di Mare (La Sable de L'amour) - 1969

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Le Temps des Fleurs (1967-69)

O ano de 1967 terminava e Dalida tocava sua vida adiante. Ao mesmo tempo em que obtinha cada vez mais sucesso na profissão, a vida pessoal não estava tão bem assim. Depois da morte de Luigi Tenco, em janeiro de 1967, e de sua tentativa de suicídio um mês depois, a a cantora ficou fragilizada e tentava fechar a ferida de uma vez por todas. Em tentativas frustradas, engatava relacionamentos amorosos efêmeros, que acabavam por não satisfazê-la. Em dezembro de 1967, Dalida se envolve com um jovem estudante romano de quem acaba engravidando. Ela vai à Itália para tentar um aborto - uma vez que a operação era proibida na França - e, diante do procedimento, acaba se tornando estéril. O fato a marcou profundamente, uma vez que não mais poderia ter filhos, o que seria mais um desgosto na vida da artista. Não se sabe se essa história, que é contada no filme biográfico da vida de Dalida, é real. Há indícios que a cantora tenha realizado outros procedimentos do gênero, como na época em que estava casada com Lucien Morisse. A provável repetição recorrente de métodos abortivos pode ter sido a verdadeira razão de Dalida ter se tornado estéril.

Para fugir dos problemas, Dalida entrava de cabeça no trabalho. Depois do sucesso do disco Piccolo Ragazzo, em 1967, o primeiro trabalho de 1968 foi lançado na Itália. Depois de alguns compactos com canções italianas, a cantora lançou o LP Un Po d'Amore. Além de faixas inéditas, como a faixa-título, Aranjuez La Tua Voce, Dan Dan Dan e L'Ultimo Valzer - as duas últimas fizeram sucesso no filme Io, Ti Amo (Eu, Te Amo), do qual Dalida foi protagonista - o álbum também trazia reprises de sucessos franceses, como Entrate Amici Miei (Entrez Sans Frapper), Son Tornata da Te (Je Reviens te Chercher) e Mama. O disco teve destaque, em especial a faixa L'Ultimo Valzer - versão italiana de La Dernière Valse, de Mireille Mathieu -, que recebeu certificado de disco de ouro na Itália. Já Dan Dan Dan foi a música que Dalida escolheu para apresentar na edição de 1967 do festival televisivo de música italiana Canzoníssima. A música lhe rendeu o primeiro lugar no campeonato e acabou se tornando uma de suas canções mais populares na Itália. A partir daquele ano até 1971, Dalida seria uma figura frequente nos festivais italianos de televisão.

Dan Dan Dan: canção vencedora do festival Canzoníssima 1967
é uma das mais conhecidas de Dalida na Itália

Dalida interpreta Aranjuez La Tua Voce, versão italiana do 
clássico instrumental Canção de Aranjuez


Enquanto isso, na França, Dalida gravou o EP Si J'avais des Millions. A faixa-título era uma adaptação francesa da canção If I Were a Rich Man, do musical Um Violinista no Telhado, que estreou na Broadway em 1964. O outro single do compacto foi Tzigane, mais um título inspirado nas influências ciganas. Aliás, essa influência ficou bastante evidente em 1968. No 45 rotações seguinte a música de destaque que deu nome ao disco foi Pars, uma canção bastante orquestrada e com um toque sombrio. No compacto, mais uma música no mesmo estilo, Dans la Ville Endormie, e o hit italiano de Patty Pravo, La Bambola, versionado para o francês. No final da década de 1960 e início de 70, Dalida e Patty Pravo eram cantoras que se correspondiam bastante. Por vezes, as duas  gravavam as mesmas canções, mas em idiomas e em versões diferentes.

Si J'avais des Millions ao vivo no Palmarès des Chansons, em 1968:
canção ao estilo iê-iê-iê ainda era aposta comercial da Barclay para Dalida

O EP seguinte, que foi o último lançado naquele ano, realmente dispensou trabalhos posteriores. Nele continha o hit Le Temps des Fleurs, versão para Those Were the Days, canção gravada pela britânica Mary Hopkins. A música era uma adaptação de uma canção cigana russa da década de 1920. Em 1968, Paul McCartney produziu uma nova roupagem para a música, que se popularizou no ocidente na voz de Mary Hopkins. Quase que instantaneamente uma versão francesa foi feita para Dalida e caiu à cantora como uma luva. Àquela época, Dalida já era considerada uma cantora global, capacitada a entoar músicas de vários lugares do mundo. A versão fez enorme sucesso e, como de costume, o seu disco foi certificado como disco de ouro.

Em TV francesa, Dalida interpreta Le Temps des Fleurs,
o grande sucesso de 1968 e um dos maiores de sua carreira

Ao lado de Le Temps des Fleurs, que também foi gravada em italiano (Quelli Erano Giorni) e em alemão (Am Jenem Tag), estavam as melancólicas Je M'endors Dans te Bras e Le Septième Jour, além do título Le Petit Perroquet, que ainda mantinha viva a ligação de Dalida ao movimento iê-iê-iê. Ainda que, particularmente, não fossem de seu gosto, as músicas desse gênero continuavam fazendo parte do trabalho artístico de Dalida, já que a sua gravadora fazia exigências quanto a comercilidade de seu trabalho, o que a impossibilitava de lançar apenas aquilo o que queria. O resultado musical culminou no LP Le Temps de Fleurs, com canções reunidas de compactos, como de costume, e três inéditas: Manuella, Tire L'aiguille e Les Anges Noirs, que apenas foi editada em compacto no formato single. No final dos anos 1960, o mercado fonográfico apresentava já algumas mudanças. O formato EP perdia força de venda para o LP e se tornava um símbolo promocional das canções de sucesso. Essa mudança seria definitiva para os músicos de todo mundo na década de 1970.


Capa do LP Le Temps des Fleurs

De forma geral, 1968 foi um bastante positivo para Dalida. Além dos discos de ouro e do troféu Canzoníssima, a cantora ganhou honrarias importantes. Na França, foi eleita madrinha das crianças de Montmartre - bairro no qual residiu por quase toda a vida -, recebeu a medalha municipal de Paris e ganhou, do presidente Charles de Gaulle, a Medalha da Presidência da República, uma distinção inédita na história da França, sendo Dalida a única a recebê-la desde então. Ainda em 1968, Dalida veio ao Brasil a trabalho, ajudando a divulgar o LP Le Temps de Fleurs, que foi editado por aqui no ano seguinte.

Dalida em frente ao Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, em 1968

O sucesso também foi obtido além da música, atingindo também o cinema. Em 1968, Dalida encenou dois filmes, sendo um como ela mesma - uma participação em um documentário que falava sobre os jogos olímpicos de Grenoble, na França - e a ficção Io, Ti Amo (Eu, Te Amo). No filme, ao lado de Alberto Lupo, Dalida interpreta Judy, uma aeromoça que se apaixona por um artista plástico. O casal resolve então tirar uma semana para viajarem juntos por belas paisagens da Itália. A trilha sonora do filme é pontuada por grandes sucessos de Dalida, como Dan Dan Dan e L'ultimo Valzer.

Ao som de L'ultimo Valzer, Dalida e Alberto Lupo são
Judy e o príncipe Tancredi no filme Eu, Te Amo

Depois do sucesso de Le Temps des Fleurs, Dalida só retomou as investidas na música em 1969, quando lançou o compacto L'anniversaire. A canção de amor não obteve tanto êxito em relação a Zoum Zoum Zoum, música contida naquele mesmo 45 rotações. Pouco a pouco, o estilo de Dalida mudava, a começar pelo visual. No final dos anos 1960, Dalida passou a usar vestidos longos e batas, o que já refletia a moda da década seguinte. Foi o que se pôde constatar na capa do EP seguinte, Les Violons de Mon Pays. O compacto não obteve tanto êxito, mas antecedeu o disco que continha o grande sucesso de 1969, L'an 2005.

No penúltimo disco da compilação Les Années Barclay, que é o 9º volume da coleção, constam duas canções de fins de 1967, todas as músicas de 1968 (exceto Les Anges Noirs, que está no 10º disco da coletânea), e os títulos dos dois primeiros EPs de 1969. Confira a lista do CD, que foi nomeado por Le Temps des Fleurs, canção de destaque desse meio tempo.

Nesta postagem também consta os segundo e terceiro volumes da coleção Italia Mia, que apresentam os discos Pensiamoci Ogni Sera e Quelli Erano Giorni. A primeira foi um grande sucesso em italiano lançado por Dalida em 1965 (Para ver mais sobre a canção e seu disco, consultar a postagem La Danse de Zorba). No álbum constam, essencialmente, hits importantes entre 1966 e 1968, como Dan Dan Dan, L'Ultimo Valzer, Un Po d'Amore, Bang Bang, entre outras. As canções fora desse tempo são La Danza di Zorba (versão italiana do sirtaki francês de Dalida), de 1965, e Oh Lady Mary e Ci Sono Fiori, canções lançadas entre 1969 e 1970. (Mais informações sobre os dois títulos na postagem L'An 2005). Já no disco Quelli Erano Giorni, além da faixa título, versão italiana de Le Temps de Fleurs, também estão presentes músicas entre 1965 e 1968, com exceção de La Mia Vita è Una Giostra (1970), La Nostra Bimba (1970) Il Venditore di Felicità (1960), Harlem Spagnolo - versão de Nuits d'Espagne (1961) -, Dolce Musica - Mélodie Perdue, de 1958, versionada para italiano - e uma versão italiana para Et Maintenant, de Gilbert Bécaud, gravada em 1962, intitulada Senza di Te.



1. Entrez Sans Frapper
2. Toi, Mon Amour
3. Si J'avais des Millions (If I Were a Rich Man)
4. Tout le Monde a Sa Chanson d'Amour
5. Tzigane (Zigeunerjung)
6. Tout le Monde Sait (Everybody Knows)
7. Pars
8. Dans la Ville Endormie (My Year is a Day)
9. La Petite Maison Bleue (Casa Bianca)
10. La Bambola
11. Le Temps des Fleurs (Those Were the Days / Dorogoi dlinnoyu)
12. Je M'endors Dans tes Bras (Per Lui)
13. Septième Jour
14. Petit Perroquet
15. Je me Repose
16. Quelques Larmes de Pluie (Rain and Tears)
17. Manuella (Viva la Quince Brigada)
18. Tire L'aiguille
19. L'anniversaire
20. Sèche Vite Tes Larmes (Schade Um Die Tranen)
21. Zoum Zoum Zoum 
22. Dis-moi des Mots
23. Les Violons de Mon Pays
24. Le Vent n'a Pas de Memoire


1. Aranjuez la Tua Voce (Concierto de Aranjuez) (1967)
2. Un Po d'Amore (Noches de Satén Blanco) (1968)
3. Dan Dan Dan (1967/68)
4. L'Ultimo Valzer (La Dernière Danse) (1968)
5. Cominciamo ad Amarci (1967)
6. Ciao Amore Ciao (Em Italiano) (1967)
7. Amo l'Amore (1968)
8. Pensiamoci Ogni Sera (1965/66)
9. Bang Bang (1966)
10. La Danza di Zorba (La Danse de Zorba) (1965)
11. Mama (Em Italiano) (1967)
12. Oh Lady Mary (1969/70)
13. Ci Sono Fiori (1969/70)
14. Son Tornata da Te (Je Reviens Te Chercher) (1968)


1. Quelli Erano Giorni (Le Temps des Fleurs) (1968)
2. La Mia Vita è Una Giostra (1970)
3. Lacrime e Pioggia (Quelques Larmes de Pluie) (1968)
4. L'Aquilone (Dans la Ville Endormie) (1968)
5. Harlem Spagnolo (Nuits d'Espagne) (1961)
6. Il Venditore di Felicità (1960)
7. Dolce Musica (Mélodie Perdue) (1958)
8. Ascoltami (1965)
9. Devo Imparare (1965)
10. Senza di Te (Et Maintenant) (1962)
11. La Speranza è Una Stanza (1968)
12. Il Mio Male Sei (1966)
13. Piccolo Ragazzo (Petit Homme) (1967)
14. Le Flamenco (Em Italiano) (1966)
15. La Nostra Bimba (1970)